A lateralidade do cérebro começou e a ser estudada em 1861 pelo Dr. Paul Broca, que questionou a dominância de um dos hemisférios cerebrais sobre o outro.1

Desde então, os debates sobre os comportamentos e ações funcionais do ser humano têm sido inúmeros, no entanto ainda são várias as perspectivas sobre o assunto, não tendo ainda sido estabelecida nenhuma tese definitiva.1

O tema é possível de ser conduzido entre várias áreas, contudo é dado à neuropsicologia maior importância devido aos vários estudos que ligam os transtornos de aprendizagem e a lateralização na infância.1

 

O que é lateralidade?

A lateralidade é a definição que caracteriza o domínio de um lado do corpo sobre o outro, ou seja, há uma esfera motora (esquerda ou direita) que se sobrepõe à outra.1

Apesar da lateralidade funcional ser intrínseca, só é possível de observar com mais detalhe nos primeiros anos escolares, que é quando a criança desenvolve o esquema corporal e adquire consciência da relação entre noções espaciais (esquerda, direita, frente, atrás).1

Uma criança que demonstre alterações no domínio pode manifesta-las no processo de aprendizagem, tendo, na maior parte das vezes, dificuldades no processo, pois há uma preferência pela utilização de uma parte simétrica do corpo, seja a mão, o pé, a perna ou o olho.1

 

O que é lateralidade cruzada?

Denomina-se de lateralidade cruzada o uso preferencial da mão direita para comer e a utilização do pé esquerdo para chutar. As crianças com lateralidade cruzada não possuem uma preferência total por um lado do corpo quando estão a realizar tarefas.2

Uma criança que use indistintamente e com eficácia os dois lados do corpo é chamada de ambidestra.2

Segundo o estudo realizado “a preferência manual é estabelecida antes até do oitavo mês de vida”.2

Lateralidade Cruzada

O que é a Lateralidade na educação infantil?

No que toca à lateralidade na educação infantil, esta pode condicionar a aprendizagem, já que há uma relação direta entre a lateralidade cruzada e as dificuldades apresentadas pelas crianças. Por exemplo: complicações na leitura, escrita e exercícios físicos.2

Além disso, as crianças que não desenvolveram uma lateralidade adequada também demonstram, na maior parte das vezes, dificuldade em seguir direções gráficas, ou seja, iniciar e seguir a leitura pela esquerda.2

Devido às maiores dificuldades e à constante correção das mesmas, é habitual as crianças que demonstram lateralidade cruzada apresentarem um alto índice de fadiga, quedas frequentes e atenção instável, dificultando o desempenho em determinadas modalidades.2

 

Como trabalhar a lateralidade na educação infantil?

A lateralidade infantil é uma questão ainda pouco debatida na comunidade escolar. O professor de educação física tem um papel fundamental no desenvolvimento físico, cognitivo, afectivo e social da criança, mas também como facilitador no processo de aprendizagem nos primeiros anos escolares.3

Atualmente tem-se verificado que há uma estreita relação entre o que a criança é capaz de aprender (cognitivo), com o que é capaz de realizar (motor) 3

Apesar da lateralidade ser um fator relevante no desenvolvimento das capacidades de aprendizagem da criança, a nível da leitura e de atividades físicas, este não é o único motivo de baixo rendimento escolar.3

 

Atividades para a lateralidade

A lateralidade pode ser trabalhada através da prática de atividades ou exercícios próprios, desenvolvidos com o objetivo de melhorar os padrões motores básicos e as habilidades motoras das crianças.3

 


 

Referências

1. LUCENA, N. M. G. et al. (2010) «Lateralidade manual, ocular e dos membros inferiores e sua relação com déficit de organização espacial em escolares», Estudos de Psicologia, 27(1), p. 9.
2. Beatriz Bora, L., Thomazini Cardoso, V. e Marco de Toni, P. (2019) «Assimetria Direita-Esquerda e Desenvolvimento Neuropsicomotor Humano», Ces. Psico., 12(1), pp. 54–68. 
3. Freitas, C. de (2014) Lateralidade e coordenação motora em crianças dos 4 aos 12 anos de idade. Estudos com o teste M-ABC. Porto.

autor: Bolas de Sabão

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