15.07.2020
A definição ‘Complexo de Electra’ nasceu da mitologia grega, quando Electra, filha de Agamemnon e Clitemnestra, triste e amargurada pela morte do pai, pede ao irmão para se vingar assassinando a mãe. Séculos mais tarde, o estudioso Carl Jung formula o complexo, baseando-se na história da mitologia.1
Alguns investigadores referem-se ao complexo de electra como sendo o equivalente feminino do complexo de édipo, definido assim por Freud.
Carl Jung foi um investigador da psicologia profunda, que não aceitava a concepção que definia a energia psíquica como sexual.2
O que é o complexo de electra?
O complexo de electa é uma disfunção observável quando a criança do sexo feminino nutre um amor incondicional e incoerente pela figura paterna, e inconscientemente rejeita o afeto e carinho da mãe. Para além disso, a criança com este complexo disputa com a mãe a atenção do pai, inclusive, ficando com ciúmes quando o pai não corresponde ao pedido de atenção e carinho da filha.3
Sintomas do complexo de electra
Segundo a teoria descrita por Fred, existem diversas fases de desenvolvimento psicossexual da criança, durante uma dessas fases, a fase fálica, entre os 3 e os 6 anos de idade, rapazes e raparigas ganham consciência da existência do pénis. Nas raparigas, segundo Freud, a falta do órgão faz com que estas procurem o sexo masculino.4
Quando as meninas são pequenas e não têm consciência do tempo ou do espaço onde se encontram, são habitualmente mais ligadas à mãe, procuram-na para comer e para conforto. Dos 3 aos 6 anos de idade, ao ganharem consciência que em vez de um pénis tem uma vagina, culpam a mãe e desenvolvem uma proximidade emocional com o pai quase doentia.
Durante esta fase em que o pai é a figura central para a criança, a mãe torna-se uma “inimiga”. A menina procura o pai constantemente e tem ciúmes da mãe quando ela está próxima do pai.
Com o amadurecimento da criança, a mãe volta a ganhar destaque na vida da criança e o pai deixa de ser a figura central.
Como tratar o Complexo de electra?
Segundo a teoria de Freud, a fase fálica, onde se desenvolve o complexo de electra, é apenas isso, uma fase em que a criança se torna mais próxima do progenitor do sexo oposto. Uma ligação que Freud acreditava ser incestuosa e que era resolvida quando a criança desenvolvia o seu superego, não sendo necessário recorrer a tratamentos.5
O superego desenvolve-se a partir do ego e torna-se também ele capaz de influenciar as ações da criança. Esta parte da personalidade diz “não” às necessidades anti-sociais, ou seja, desenvolve-se tendo em conta e incorporando os valores morais da mãe, e os comportamentos socialmente aceites, permitindo controlar e suprimir os sentimentos de pertença que a menina tem pelo pai.5
Complexo de electra disfuncional
Para Freud, caso a criança não deixe bem resolvida a fase em que inicia a descoberta da sexualidade, podem ocorrer frustrações e disfunções no desenvolvimento posterior. Como tal, os pais devem estar atentos às reacções e decepções da criança nos primeiros anos da infância, e esclarecer qualquer dúvida.4
Referências
1. Yuri Andrade e Nelson Magalhães (2012) O Complexo de Electra, Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em artes cênicas. Disponível em: http://www.portalabrace.org/viicongresso/completos/teatrobrasileiro/Yuri Magalhaes - O Complexo de Electra em Nelson Rodrigues.pdf (Acedido: 3 de Julho de 2020).
2. Silva, R. M. G. (2010) O Contributo de Carl Gustav Jung, Portal dos Psicologos. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0259.pdf (Acedido: 6 de Julho de 2020).
3. Electra complex – APA Dictionary of Psychology (sem data) American Psychological Association. Disponível em: https://dictionary.apa.org/electra-complex (Acedido: 6 de Julho de 202
4. Elis Costa e Kênia Oliveira (2011) A Sexualidade Segundo a Teoria Psicanalítica Freudiana e o Papel dos Pais neste Processo, Revista do Curso de Pedagogia do Campus Jataí, Vol. 2, Nº11. Disponivel em: Psicologia da Educação II (Acedido: 6 de julho de 2020)
5. Ane Carine Meurer et al. (2005) PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II 2o Semestre.
