18.04.2023
O quadro de júbilo da maternidade pode ser manchado por alguns desafios e um deles dá pelo nome de mastite na amamentação: uma inflamação da mama que pode ser acompanhada por infeção.
Principais sintomas da mastite na amamentação? Dor, vermelhidão, inchaço e desconforto, particularmente na hora de amamentar o recém-nascido e durante as primeiras semanas após o parto.
Porém, se não tiver um tratamento atempado (do esvaziamento da mama à toma de antibiótico), a mastite na amamentação pode provocar uma infeção grave e até a formação de abscessos.
Continue a ler para conhecer as causas e sintomas e perceber como tratar e prevenir a mastite na amamentação.
O que é mastite?
A mastite é uma inflamação do tecido mamário, muitas vezes acompanhada de infeção. Embora seja uma condição benigna, pode causar dor e inchaço.
Afeta mais frequentemente mulheres nos primeiros meses de amamentação e apenas numa das mamas. Daí o nome mastite na amamentação.
No entanto, pode surgir em ambas as mamas e também em mulheres que não estão a amamentar e até em homens, muito devido à entrada de bactérias na mama, em caso de ferimentos no mamilo, por exemplo.
O que é mastite na amamentação?
Mastite na amamentação ou mastite puerperal é o tipo de mastite mais comum devido ao acúmulo de leite na mama que favorece a multiplicação de bactérias.
A mastite na amamentação é então uma inflamação das glândulas mamárias que, como o nome indica, afeta mulheres que estão a amamentar, dificultando bastante a tarefa de alimentar o bebé.
Estima-se que 10 a 20% das mulheres desenvolvam pelo menos um episódio de mastite na amamentação, regra geral nos três primeiros meses.
Já a mastite na gravidez ou mastite fora da amamentação não é tão comum e exige exame clínico fundamental para orientar o melhor tratamento possível.
Causas da mastite na amamentação
A acumulação de leite (estase láctea) é a principal causa da mastite na amamentação.
A mastite na amamentação pode ocorrer por alguma obstrução de um dos ductos da mama ou por um incompleto esvaziamento dos seios pelo bebé durante a amamentação, levando ao bloqueio dos canais que transportam o leite e provocando uma inflamação.
Porém, existem outros fatores de risco da mastite puerperal ou mastite na amamentação, que podem existir em associação. São eles:
- Mamilos e pele com fissuras. Estas favorecem a entrada das bactérias da pele dentro do tecido mamário;
- Danos nos mamilos causados, por exemplo, por piercings, implantes mamários ou problemas dermatológicos como eczema;
- Sistema imunitário fragilizado devido a problemas de saúde como diabetes;
- Soutien muito justo ou muita pressão no peito devido ao uso de cinto de segurança, entre outros motivos;
- Carregamento de pesos que podem inibir o fluxo de leite;
- Técnica de amamentação inadequada e utilização de apenas uma posição para amamentar;
- Stress e cansaço, má nutrição e tabagismo são outras causas da mastite na amamentação.
Sintomas da mastite na amamentação
O quadro de mastite na amamentação costuma começar de forma branda, com o endurecimento da mama que indica estase láctea. Os sintomas da mastite na amamentação incluem:
- Vermelhidão, inchaço, endurecimento e dor na mama;
- Dor ou sensação de ardor durante a amamentação;
- Pele quente ao toque;
- Corrimento amarelo do mamilo;
- Sensação de mal-estar, fadiga, dores no corpo, arrepios e febre.
Sem um tratamento adequado (ou esvaziamento adequado), a mastite na amamentação pode dar origem a uma infeção e causar sintomas como a febre, arrepios e prostração, muito idênticos aos da gripe.
Quando consultar um médico?
Quando detetar os sinais de alarme da mastite na amamentação, tais como vermelhidão e dor na mama, corrimento do mamilo, leite materno com pus ou sangue, deve consultar um médico.
Se já o fez, mas os sintomas de mastite na amamentação não melhoraram nem após 48 horas de toma de antibiótico, deve regressar para uma consulta de reavaliação.
Lembre-se que se a condição não for tratada corretamente, a mastite na amamentação pode levar à formação de abscessos e até causar septicemia.
Como tratar a mastite na amamentação?
Se for detetada numa fase precoce, a mastite na amamentação pode ser combatida sem tratamento médico. Como? Basta esvaziar a mama afetada após a mamada, manualmente ou com a ajuda de uma bomba.
A par disso, deve massajar o peito com movimentos circulares e aplicar compressas frias para aliviar as dores depois da amamentação (compressas mornas antes de retirar o leite), usar um soutien com um bom suporte, mas não muito justo, repousar e beber muitos líquidos.
Em casos mais complicados de mastite na amamentação, convém consultar um médico que possivelmente vai prescrever um antibiótico para combater a possível infeção (que não prejudique o bebé) e anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar a dor e reduzir a inflamação na mama.
Desta forma, a infeção provocada pela mastite na amamentação desaparece entre uma a três semanas, sendo que, após a resolução do problema, é preciso rever as técnicas para dar de mamar ao bebé, a fim de minimizar as hipóteses de ocorrer novo episódio de mastite na amamentação.
O leite da mama inflamada não faz mal ao bebé?
Não se preocupe por estar a amamentar com uma mastite puerperal.
O leite materno é rico em anticorpos e substâncias antibacterianas que vão proteger o seu filho, além de que a acidez natural do estômago do bebé acaba por matar as bactérias e toxinas ingeridas.
Por outro lado, se suspender o aleitamento, só vai favorecer o ingurgitamento da mama e abrir a porta à proliferação das bactérias.
Ainda assim, se a mama deitar pus, pare de amamentar até indicação em contrário do seu médico.
Como prevenir a mastite na amamentação?
Felizmente existem algumas técnicas ou boas práticas que ajudam a prevenir a mastite na amamentação e que vale sempre a pena pôr em prática durante a fase de aleitamento:
- Certificar-se de que o bebé pega corretamente na mama;
- Amamentar o bebé de um dos lados até que a mama esteja vazia antes de trocar para a outra ou se o bebé mamou na mama esquerda, na próxima mamada começar pela mama direita;
- Ir trocando a posição de amamentação de modo que todas as zonas da mama fiquem completamente vazias;
- Evitar a compressão excessiva da mama com os dedos;
- Deixar a mama arejar, no final da amamentação;
- Tratar o ingurgitamento e os mamilos gretados atempadamente;
- Não vestir soutiens ou roupas que comprimam a mama;
- Não usar discos de amamentação que mantenham os mamilos húmidos;
- Se notar sinais de estase láctea ou acumulação de leite, fazer massagens e aplicar compressas quentes para garantir que o bebé consegue esvaziar a mama.
Tem outras dicas para prevenir ou tratar a mastite na amamentação? Partilhe-as com a comunidade Bolas de Sabão!
