A educação parental é um tema que gera cada vez mais interesse junto dos papás e das mamãs.

Costuma dizer-se que ninguém nasce ensinado e que educar um filho é uma das tarefas mais desafiantes que alguém pode enfrentar. 

Embora ainda haja quem acredite que educar é uma questão de instinto e de bom senso, a realidade é que a educação parental tem vindo a mostrar que é possível aprender como ser um melhor pai ou mãe.

Com a educação parental, os papás e mamãs podem aprender melhores práticas de educação parental e promover competências parentais, com o auxílio de profissionais especializados, como é o caso dos psicólogos ou dos profissionais de ciências da educação.

A educação parental contribui, assim, para cimentar a base do desenvolvimento integral da criança, sobretudo durante a primeira infância (dos 0 aos 3 anos). 

Esta é uma fase em que a linguagem e o desenvolvimento motor, cognitivo, psicológico, espacial e afetivo do seu petiz assumem um papel muito relevante para o seu futuro. 

Portanto, há que apostar na educação parental e tentar estabelecer vínculos positivos, uma comunicação aberta e estimular devidamente a criança. 

É nestes pontos que a educação parental pode ser crucial. Conheça estes e outros benefícios da educação parental.

 

O que é a Educação Parental?

A evolução social e as mudanças no modo como vivemos e como nos organizamos enquanto família tornam a educação parental numa área importante para os papás e as mamãs de hoje em dia.

Replicar com os nossos filhos a educação parental que recebemos pode não ser de todo aconselhável, pois os tempos e o contexto mudaram. 

Não esqueçamos que, há uns anos, a educação parental era, muitas vezes, sinónimo de autoritarismo. Atualmente, a educação parental deve assentar no diálogo e no respeito mútuo, embora não esquecendo que os pais devem não devem comportar-se como colegas dos filhos. 

Além disso, a educação parental que damos a cada um dos nossos filhos deve ser ajustada e a adaptada às caraterísticas de cada criança. Por exemplo, quantos pais já se aperceberam que a estratégia que funcionava com o filho mais velho não resulta com o mais novo?

 

A educação parental é, por isso, um meio de evitar alguns traumas e conflitos que, com o passar dos anos, se podem adensar e criar mal-estar entre os pais e os seus filhos.

 

A neurociência tem-nos dado informações relevantes sobre a educação parental e as etapas do desenvolvimento infantil, o que se torna muito útil para papás e mamãs conseguirem gerir melhor as transformações e o crescimento dos seus filhos.

Neste contexto, a educação parental pode ter como papel ajudar os pais a lidarem com as suas próprias expectativas em relação aos seus filhos, principalmente numa época em que existe uma grande pressão social, muitas vezes descabida, quanto às “conquistas” das crianças, como “com que idade começou a andar” ou “com que idade começou a falar”.

Esta circunstância pode conduzir a que os pais exerçam uma pressão desmesurada sobre os seus filhos o que, por sua vez, pode originar confrontos e até mal-estar junto das crianças, baixando a sua autoestima, autoconfiança e amor próprio.

Por esse motivo, a educação parental é, muitas vezes, ensinada ainda na fase da gestação para que, de um modo precoce, os papás e as mamãs possam ir adotando uma postura mais positiva e esclarecida face àquilo que se avizinha.

A educação parental deve, por isso, de ser personalizada, pois cada família apresenta necessidades distintas. 

Se numas a dificuldade pode ser a comunicação, noutras pode ser necessário trabalhar mais as relações afetivas. 

Quando os pais não recorrem à educação parental de uma maneira preventiva, também podem recorrer à educação parental como uma forma de procurar resolver situações de crise no seio familiar, nomeadamente nas relações entre pais e filhos.

Em suma, a educação parental pode dar-nos informações preciosas sobre:

  • as fases do desenvolvimento infantil e o que as carateriza;
  • como lidar quando o desenvolvimento da criança parece inadequado;
  • como se deve comunicar com a criança adequadamente;
  • como criar um ambiente familiar positivo e acolhedor;
  • como apoiar e ajudar os filhos a desenvolverem os seus gostos e interesses;
  • como ensinar os filhos a comunicarem os seus desejos e emoções;
  • como ajudar os filhos a combaterem situações de abuso e de negligência.
Estilos de Educação Parental

Estilos de Educação Parental

O tipo de educação parental que cada pai ou mãe exerce pode ser definido por um estilo, o qual se carateriza pela maneira como os pais se relacionam com os seus filhos. Tal demonstra-se em aspetos tão simples como o tom de voz, a linguagem corporal, o tipo de trato e o género de humor utilizados na relação do papá e da mamã com os seus filhos.

Assim, a educação parental consegue identificar 4 grupos principais de pais: autoritários, permissivos, super-protetores e democráticos.

Cada um destes tipos de educação parental vai, naturalmente, ter níveis de autoridade, de afabilidade e de tolerância distintos, na relação do papá e da mamã com os seus filhos.

 

Autoritário

O estilo de educação parental autoritário assenta nos princípios da obediência e do respeito pela autoridade, havendo menos espaço para o afeto, reciprocidade e equilíbrio de poder. Estes pais são habitualmente exigentes, pouco tolerantes e pouco compreensivos.

Este tipo de educação parental costuma recorrer à privação de privilégios ou ameaças, o que pode gerar nos filhos sentimentos de hostilidade, medo e ansiedade.

Neste género de educação parental, há pouca flexibilidade e espaço para o diálogo e para aceitar as caraterísticas individuais da criança. O ambiental parental é, por isso, geralmente frio, sem afeto, distante e sem incentivos positivos.

Como resultado deste estilo de educação parental, as crianças costumam ter baixa autoestima e serem bastante submissas e dependentes. 

Em termos escolares, podem ter bom rendimento, mas são socialmente retraídas, podendo ter comportamentos agressivos, com tendência para desenvolver problemas de ansiedade e de depressão.

 

Permissivo

Este estilo de educação parental designa pais compreensivos, tolerantes e afetuosos.

Normalmente, estes pais não recorrem a punições, ao exercício da autoridade ou a regras e restrições. Consequentemente, podem surgir comportamentos inadequados e imaturos por parte dos filhos, que este tipo de pais não corrige.

Neste género de educação parental é comum as crianças não terem sequer rotinas, como horas certas para dormir, fazer as refeições, ver televisão, entre outros.

Este tipo de pais apresenta-se apenas como concretizador dos desejos dos filhos, sem conseguir assumir o papel de modelo para os seus filhos e para os comportamentos que eles devem ter no presente e no futuro.

 

Super-protetor

Neste estilo de educação parental, os pais protegem em demasia os seus filhos, impedindo-os de ter experiências e de se desenvolverem normalmente e de acordo com a sua idade.

Como consequência deste estilo de educação parental, as crianças acabam por não adquirir as competências expectáveis para a idade que apresentam e o resultado são indivíduos imaturos e irresponsáveis, com baixa autoconfiança e muito dependentes dos outros, principalmente dos pais.

Os pais que seguem este estilo de educação parental tendem, também eles, a serem emocionalmente dependentes dos filhos e, por isso, evitam sempre o seu sofrimento, encontrando sempre uma justificação ou “desculpa” para todas as suas ações e comportamentos menos corretos.

 

Democrático

Este estilo de educação parental é, geralmente, associado a crianças mais tranquilas, otimistas, que lidam melhor com os problemas e que têm uma boa integração social.

Para isso, é importante que os pais sejam afetuosos e participem no dia a dia dos filhos, conversando sobre as suas dificuldades, relações e comportamentos.

O princípio deste tipo de educação parental é manter o equilíbrio entre a exigência e a reciprocidade, o que resulta em crianças com um desenvolvimento saudável. 

Investir na tolerância, no diálogo e na autonomia são as bases deste estilo de educação parental. Apesar de haver limites e regras, há espaço para a negociação e para o compromisso, nunca esquecendo quem é o pai ou mãe e o filho. 

Através de uma comunicação eficiente são explicadas às crianças as consequências das suas opções e comportamentos, sensibilizando-as para princípios e valores importantes para elas e para as suas relações com os outros.

O respeito mútuo entre pais e filhos pressupõe a correção de maus comportamentos, mas também a recompensa por comportamentos positivos. 

Assim, com este estilo de educação parental, estimula-se na criança o seu sentido de responsabilidade e de maturidade. 

Por isso, não é surpreendente que alguns estudos defendam que este estilo de educação parental possa contribuir para crianças, jovens e futuros adultos assertivos, maduros, responsáveis, independentes, empreendedores e psicologicamente estáveis.

 

Papel dos pais na educação parental das crianças

Por tudo o que já dissemos sobre educação parental, fica claro que os pais têm um papel fulcral na educação das crianças e na formação dos adultos de amanhã. 

O estilo de educação parental que cada papá e mamã adota pode contribuir significativamente para a definição da personalidade do seu filho hoje e amanhã.

 

A educação parental defende que os pais são, geralmente, o primeiro e o principal modelo para os filhos. Logo, os seus comportamentos e ações são “absorvidos” atentamente pelas crianças e, tendencialmente, replicados. 

 

Além disso, segundo os princípios da educação parental, todos os pais devem ter consciência de que, para o bem-estar das crianças, elas necessitam de ter regras e limites, sabendo que o respeito (e não o medo) deve ser a base de qualquer relação. 

Os papás e as mamãs devem ajudar os filhos a reconhecerem e a aceitarem os seus erros, a corrigi-los e a nunca desistirem. 

Como a educação parental mostra, é muito importante atribuir tarefas à criança, naturalmente adequadas à sua idade e competências. No entanto, é importante que a criança sinta que pode contar com o apoio dos pais na realização das mesmas, se assim necessitar.

Motivar e estimular a criança a ser melhor, a seguir os seus sonhos e a trabalhar a sua criatividade e espírito crítico são outras lições valiosas que a educação parental tem vindo a mostrar fazerem a diferença no desenvolvimento dos jovens em adultos mais saudáveis, equilibrados e, acima de tudo, felizes!

Qual o seu estilo favorito para educar os mais pequenos aí em casa? Partilhe tudo com a comunidade Bolas de Sabão!

autor: Bolas de Sabão

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