02.02.2026
Se aguarda a chegada de um filho, está a viver um período mágico e cheio de descobertas: algumas simples, outras mais complicadas que exigem atenção e informação. E a pré-eclâmpsia na gravidez é uma dessas condições que merece ser compreendida para que possa viver esta fase de forma mais segura, tranquila e confiante.
O que é a pré-eclâmpsia na gravidez?
A pré-eclâmpsia é uma complicação que se pode manifestar durante a gravidez, sobretudo devido à pressão arterial elevada (hipertensão) associada à presença de proteínas na urina.
De situações mais leves a quadros mais graves que podem atingir órgãos como o fígado, rins e até cérebro, a pré-eclâmpsia na gravidez manifesta-se de formas diferentes, atingindo cerca de 6% a 10% das gravidezes, e sendo ainda uma das principais causas de mortalidade pré-natal a nível global. Por isso, convém conhecer as causas e fatores de risco da pré-eclâmpsia na gravidez, bem como os cuidados de prevenção e tratamentos adequados para proteger tanto a mãe como o bebé.
Causas e fatores de risco da pré-eclâmpsia na gravidez
Embora não exista um motivo único para o surgimento da pré-eclâmpsia na gravidez, existem causas e fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de apresentar este quadro clínico, nomeadamente:
- Fatores genéticos e/ou histórico pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia.
- Alterações no desenvolvimento dos vasos sanguíneos da placenta.
- Disfunção do sistema imunitário.
- Inflamação ou problemas vasculares prévios.
- Primeira gravidez ou gravidez múltipla.
- Intervalo superior a 10 anos entre gravidezes.
- Idade da mãe inferior a 20 anos ou superior a 40 anos.
- Doenças autoimunes como lúpus ou síndrome antifosfolipídica.
- Obesidade, diabetes, hipertensão arterial (já existente ou com história familiar de hipertensão arterial) ou doença renal prévia.
- Medicamentos
- Sem causa evidente ou idiopática
Sintomas e sinais de alerta da pré-eclâmpsia na gravidez
Pode começar de forma discreta? Pode, mas ainda assim a pré-eclâmpsia na gravidez raramente passa sem apresentar sinais de alerta, nomeadamente:
- Dores de cabeça fortes e persistentes, não localizadas.
- Alterações na visão, como visão turva, sensibilidade à luz e até perda temporária de visão.
- Inchaço no rosto, mãos ou tornozelos.
- Aumento rápido e inesperado de peso.
- Dor intensa na zona superior do abdómen.
- Náuseas e vómitos incomuns no final da gravidez.
- Diminuição da quantidade de urina.
- Falta de ar.
Riscos e complicações para a mãe e para o bebé
Apesar de ser possível controlar a pré-eclâmpsia na gravidez quando identificada a tempo, é importante conhecer os riscos para a saúde da mãe e do bebé:
- Parto prematuro.
- Restrição do crescimento fetal.
- Descolamento prematuro da placenta.
- Insuficiência renal ou hepática na mãe.
- Eclâmpsia (convulsões). Pré-eclâmpsia que se transforma em eclâmpsia, devido frequentemente a medicamentos para a hipertensão arterial, como os diuréticos.
- Síndrome HELLP.
- Necessidade de indução do parto ou cesariana urgente.
Como prevenir a pré-eclâmpsia na gravidez? Conheça os cuidados essenciais!
A boa notícia? Bastam alguns cuidados para reduzir significativamente o risco de pré-eclâmpsia na gravidez, entre eles:
- Realizar consultas de vigilância pré-natal com regularidade.
- Praticar exercício físico adequado e sob orientação médica.
- Manter uma alimentação equilibrada e diversificada.
- Evitar sal em excesso.
- Beber água ao longo do dia.
- Controlar o peso antes e durante a gravidez.
- Não tomar medicamentos sem prescrição médica.
Como tratar e acompanhar a pré-eclâmpsia na gravidez? Conheça a abordagem médica!
Apesar de todos os cuidados, suspeita de pré-eclâmpsia na gravidez? Agende já uma consulta com o seu médico para que se possa realizar um diagnóstico, seja através de medição da pressão arterial, análise da urina e/ou exames laboratoriais que avaliem rins, fígado e plaquetas. Se os resultados indicarem pré-eclâmpsia, mantenha a calma! Não há propriamente um tratamento para a pré-eclâmpsia na gravidez, mas existem várias abordagens médicas para controlar esta situação, nomeadamente:
- Monitorização frequente da mãe e do bebé.
- Controlo rigoroso da pressão arterial.
- Repouso ou internamento, consoante a gravidade da pré-eclâmpsia na gravidez.
- Medicação específica para proteger o desenvolvimento fetal em caso de parto prematuro.
- Indução do parto ou cesariana quando a saúde da mãe ou do bebé estiver em risco.
Lembre-se que em muitas situações de pré-eclâmpsia na gravidez, o “tratamento” definitivo é o parto, pelo que deve ser cuidadosamente avaliado e acompanhado por médicos especialistas.
FAQs sobre pré-eclâmpsia na gravidez
Ficou com dúvidas acerca da pré-eclâmpsia na gravidez? Leia as respostas às perguntas mais frequentes dos nossos leitores!
Quando costuma surgir a pré-eclâmpsia na gravidez?
Normalmente, depois das 20 semanas de gestação.
Quais são os primeiros sinais de pré-eclâmpsia na gravidez?
Dor de cabeça persistente e alterações na visão.
As mulheres grávidas costumam ter pré-eclâmpsia?
Em Portugal, em 2% das gravidezes há pré-eclampsia.
Qual é a diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia?
A hipertensão gestacional é o aumento da pressão arterial, mas não afeta órgãos, ao passo que a pré-eclâmpsia na gravidez é uma condição mais grave que pode afetar órgãos e por isso requer uma monitorização mais intensiva.
Qual é a diferença entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia?
A eclâmpsia é a forma mais grave de pré-eclâmpsia na gravidez e manifesta-se através de convulsões, para além dos sintomas da pré-eclâmpsia.
A pré-eclâmpsia pode ser prevenida?
Não pode ser totalmente prevenida, mas o risco pode ser reduzido com cuidados adequados.
E se a pré-eclâmpsia na gravidez não for tratada?
Pode causar complicações graves para a mãe e bebé, como convulsões (eclâmpsia), síndrome HELLP, falência de órgãos, descolamento prematuro da placenta, parto prematuro e até mesmo morte.
E depois do parto? A pré-eclâmpsia mantém-se?
Geralmente, depois do parto a pressão arterial estabiliza, mas em alguns casos pode persistir ou desenvolver-se após o parto (pré-eclâmpsia pós-parto), pelo que requer vigilância médica. Algumas vezes permanece apenas a hipertensão arterial ou são mulheres que a evidenciarão mais tarde.
Há possibilidade de recorrências em futuras gravidezes?
Sim, sobretudo em mulheres com fatores de risco, mas o risco de ter pré-eclâmpsia na segunda gravidez é muito mais baixo do que na primeira gravidez.
Posso ter uma gravidez saudável depois de uma pré-eclâmpsia?
Com acompanhamento médico reforçado, pode!
A pré-eclâmpsia na gravidez pode ser assustadora, mas se estiver atenta aos sinais que o seu corpo emite e apostar em consultas de vigilância regulares, consegue esperar pelo seu filho com serenidade, confiança e segurança. E já agora, se quiser continuar a aprender a cuidar de si e do seu futuro bebé, descubra mais conteúdos sobre saúde e bem-estar na gravidez no blog Bolas de Sabão!
